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Grupo Corpo volta ao Teatro do SESI em outubro 

 

A gente sabe que outubro parece ainda estar longe, mas já estamos comemorando a vinda do Grupo Corpo para o Teatro do SESI. A apresentação será dividida em dois atos: O primeiro, será a releitura do espetáculo BACH e o segundo, um espetáculo totalmente inédito, que ainda está sendo produzido. Confira abaixo o release do espetáculo Bach, bem como as gravações dos ensaios através do link do youtube.

 

Bach.

Um Bach mais que barroco. Mineiro. De um azul ultramarino intenso. E grafite.E dourado. Como as igrejas do ciclo do ouro, nas antigas Geraes talhadas pelo gênio de Aleijadinho, ungidas com afrescos de Ataíde. Um Bach divinamente profanado. Que despenca de súbito dos céus para outra vez ascender às alturas. Um Bach que cantata,mas que também ciranda. Um Bach mais que barroco. Mineiro. Assim clássico, contemporâneo, universal, interiorano, divino, profano, solene, malemolente- Bach estreou mundialmente em setembro de 1996 na tradicional Bienal da Dança de Lyon, arrancando dez minutos ininterruptos de aplausos. Bach brota de uma criação livre e iluminada de Marco Antônio Guimarães em torno da obra do maior compositor de todos os tempos. Mineiro, moldado para a música na legendária usina de sons montada em Salvador pelo suíço Walter Smetak, cérebro e medula óssea do Uakti (o mais instigante e original dos conjuntos instrumentais brasileiros), colaborador do CORPO desde 1992, quando compôs a trilha magistral de 21,Guimarães mergulhou por um ano no universo barroco de Johann Sebastian Bach (1685-1750). Escarafunchou bibliotecas; vasculhou cada vereda da memória; retrogradou movimentos; fundiu cantatas, coros e prelúdios; revelou partes ocultas na partitura do gênio; transmutou suítes em acompanhamentos e, como Gounot na Ave Maria, derramou sobre eles nova melodia. Fez mais. Fez o que jamais havia feito antes: pesquisou, alterou e criou timbres e instrumentos em teclados eletrônicos. Quase uma heresia para quem dedicou a vida à investigação de novas texturas sonoras, tendo por base, invariavelmente, instrumentos acústicos (no mais das vezes inventados, também).

Na trilha, sintetizadores e dois instrumentos de corda (o Chori, da linhagem do mestre Smetak, e o Gig, de lavra própria) são comandados pessoalmente pelo (re)criador, enquanto duas vozes celestiais conduzem árias, cantatas e canções: Conceição Nicolau e Sandro Assunção, do coral do Palácio das Artes de Bel o Horizonte.
A intensa carga de religiosidade que emana da música de Bach encontra tradução visual no desdobramento do espaço cênico em dois planos: um aéreo/celeste, outro.rasteiro/terreno– recurso determinante no resultado final do espetáculo, idealizado por
Paulo Pederneiras, diretor artístico e iluminador do grupo, que assina a cenografia ao
lado de Fernando Velloso. Como estalactites futuristas, um feixe de tubos metálicos tingidos de negro se precipita dos urdimentos, criando uma inusitada zona coreográfica, de onde os bailarinos despencam na cena e por onde forjam a ascensão. Iluminada na diagonal a
“peça”cenográfica imprime na retina do espectador a imagem (ou semelhança) do instrumento que o compositor alemão tangeu com paixão
e maestria.
Um mesmo e profundo azul colore o piso e as duas camadas de tecido que compõem o fundo do palco. Do meio para o final do espetáculo, descem sobre a cena 172 m2 de retalhos de popeline ultramarino, num portentoso patchwork monocromático, versão glorificada dos alegres tapetes populares do interior. Freusa Zechmeister despe as pernas e os braços dos bailarinos e brinca com as três cores básicas do cenário sobre macaquinhos de couro stretch ou elanca fosca e botinhas de cano curto. O idioma singular e brasileiríssimo desenvolvido pelo GRUPO CORPO expande seu universo vocabular, incorporando aqui e ali fonemas, sílabas e dicções do rock –língua desde sempre universal. Enquanto a coreografia de Rodrigo Pederneiras liberta-se cada vez mais da forma, tirando os pontos de apoio do espectador e lançando-o no domínio irresistível do inesperado.
Coreografia:Rodrigo Pederneiras
Música: Marco Antônio Guimarães (sobre obra de J.S.Bach)
Cenografia:Fernando Velloso e Paulo Pederneiras
Figurinos: Freusa Zechmeister
Iluminação: Paulo Pederneiras

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