Teatro

Os Mutantes

O público recebeu no dia 26 de maio de 2007, sábado, “Os Mutantes”.

O nome Mutantes representava uma lenda,  a nova formação trouxe Zélia Duncan no lugar de Rita Lee, a presença mítica de Sérgio, Arnaldo e Dinho conferia autenticidade à viagem no tempo.

A platéia foi chegando sem muito alarde e lotou o Teatro do SESI. Mas quando as luzes se apagaram e a mensagem pré-gravada de apresentação pronunciou “Mutantes”, foi como se uma palavra mágica os libertasse de um feitiço que os mantinha em silêncio. A vibração tomou conta do ambiente. Logo se ouviu a introdução de “Dom Quixote”, enquanto a banda tomava seu lugar.

Zélia Duncan pode não ser Rita Lee, mas é perfeita para os Mutantes do novo milênio. Teve carisma, ótima presença de palco e sua voz grave e límpida se adapta com perfeição às músicas. O guitarreiro Sérgio era o mais entusiasmado, sorrindo com notável felicidade pelo carinho dos gaúchos. Sua voz continua a mesma, como se pôde constatar em “Virgínia” e “2001”, entre outras. Mas as atenções maiores são para Arnaldo, tranqüilo nos teclados, seu nome era o mais chamado pela platéia e ele retribuía às reverências com jeito de menino. O baterista Dinho mantinha o pique com a mesma vitalidade dos velhos tempos. Quanto aos músicos e vocalistas adicionais, é um recurso que lembra o Pink Floyd quando voltou sem Roger Waters. O objetivo é reconstituir da melhor forma possível a sonoridade original.

O repertório foi o mesmo do DVD gravado em Londres, exceto que as músicas que haviam sido apresentadas em inglês no show britânico aqui ganharam uma versão bilíngüe (menos, obviamente, “Tecnicolor”, que foi composta originalmente em inglês). Por exemplo, “Panis et Circensis” foi toda cantada em português, até que no final, depois de repetirem algumas vezes “as pessoas na sala de jantar”, mudaram para “the music lighted with the heat of the sun”. O público cantou junto em todas as composições e, logo, não é exagero dizer que os Mutantes literalmente sacudiram o teatro. As luzes deram um show à parte que pôde ser mais bem apreciado por quem estava para trás, com uma visão global do jogo de fachos. Enfim, foi uma noite gloriosa para todos. Os mais velhos reencontraram uma parte de seu passado que pensavam que nunca voltaria e os jovens poderão dizer a seus netos que assistiram a um show dos Mutantes.

http://emiliopacheco.blogspot.com.br/2007/05/mutantes-em-porto-alegre.html