Teatro

Gal Costa – Ela disse-me assim

Gal Costa passou  em Porto Alegre, dia 10 de junho, interpretando Lupicínio Rodrigues no espetáculo “Ela Disse-me Assim”

Após o lançamento e turnê do CD “Estratosférica” (2015), Gal Costa retomou a turnê “Ela disse-me assim”, que resgatou a obra de uma das maiores personalidades da música brasileira, o grande cantor e compositor Lupicínio Rodrigues (1914-1974). O espetáculo chegou ao Porto Alegre dia 10 de junho (sábado) no Teatro do Sesi.

A turnê resgatou o sucesso das apresentações  que resultaram numa avalanche de elogios e a menção do espetáculo como “forte candidato a melhor show do ano”. “Gal Costa bombeia sangue novo para o coração magoado de Lupicínio Rodrigues… em estado de graça como cantora, Gal dá com precisão todos os recados diretos do compositor”, resenhou Mauro Ferreira, no blog Notas Musicais. “Cadê o CD pra comprar” – foi a pergunta que mais se ouviu na saída do show no Vivo Rio, tamanho o impacto causado pela reinterpretação do repertório que Gal aprendeu a amar quando criança, na Bahia”, comentou Roberta Pennafort em matéria do jornal O Estado de S. Paulo. “…mais do que a celebração do compositor centenário ou a afirmação da riqueza da geração contemporânea de instrumentistas, o que dá sentido a “Ela disse-me assim”… é puramente a força de grandiosas canções de amor — e sobretudo de dor de amor.

O repertório do show foi selecionado por Velloso e Marcus Preto. Grandes sucessos do compositor como “Vingança”, “Esses Moços”, “Volta”, “Nunca”, “Felicidade”, “Judiaria”, “Homenagem”, “Cadeira Vazia” e “Nervos de Aço” estarão lá, mas a proposta foi buscar também obras menos conhecidas. “Fomos atrás de pelo menos um terço de músicas desconhecidas”, conta Marcus Preto, que também foi o responsável pela escolha da banda que acompanha a cantora. Na bateria, Pupillo (Nação Zumbi), na guitarra e violão, Guilherme Monteiro, no teclado e violino, o músico capixaba Lúcio Silva Souza, conhecido como Silva, e no contrabaixo elétrico e acústico, Fábio Sá. “A ideia foi trazer músicos que atualizem o Lupicínio e fujam do esquema homenagem saudosa. O projeto é uma coisa viva”, afirma.

Lupicínio Rodrigues 

Compositor e cantor brasileiro, Lupe, como era chamado desde pequeno, compôs marchinhas de carnaval e sambas-canção; músicas que expressam muito sentimento, principalmente a melancolia por um amor perdido. Foi o inventor do termo dor-de-cotovelo, que se refere à prática de quem crava os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pede um uísque duplo, e chora pela perda da pessoa amada. Constantemente abandonado pelas mulheres, buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos.

Boêmio, foi proprietário de diversos bares, churrascarias e restaurantes com música, que seguidamente ia abrindo e fechando, tudo apenas para ter, antes do lucro, um local para encontro com os amigos. Deixou cerca de uma centena e meia de canções editadas; outras centenas que compôs foram perdidas, esquecidas ou estão à espera de quem as resgate.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/roger-lerina/noticia/2017/05/gal-costa-revisita-obra-de-lupicinio-rodrigues-em-show-na-capital-9793344.html